Jéssica Araujo, 20.
"Então me escondo, de novo a tímida menina de treze anos; me escondo atrás dos meus olhos nublados, olhos de cavalo assustado diante da tempestade estrondosa. Contraída em nós que começam na nuca e descem pelos meus ombros rígidos e pelas costas, feixe de nervos, vivo com as pernas esticadas com força para trás, sem mobilidade nos joelhos, a figura viva de uma tensão espartana. Só as suas mãos impacientes conseguem me desatar de mim mesma, e é como se de repente eu caísse numa espécie de poço profundo e azulado, com manchas rosas e coloridas. Suas mãos que rompem meus ossos, desprendem meus músculos, nervo a nervo, derretem a contração permanente para que eu caia de joelhos e possa enfim, esquecer. Nos seus braços eu me esqueço: seus dedos me transportam para um presente perfeito e o seu corpo tira do meu tudo o que ele jamais me deu, o meu corpo desabrochando de vez nas suas mãos. E eu agradeço em reza muda, pedido mais, dando mais, querendo mais."
Simone Greco